Artistas adeptos da bicicleta discutem a mobilidade urbana em SP e no Rio

  • Juliana Didone, Alessandra Negrini e Letícia Sabatella falam sobre suas relações com a bicicleta no Rio e em SP

A bicicleta como meio de transporte em uma cidade grande tende a ser associada ao modo de vida de países da Europa ou como sinônimo de férias. No entanto, a inserção da ‘magrela’ no cotidiano — para fugir do trânsito, do estresse e economizar uns trocados — pode estar mais próxima da realidade do brasileiro. Pelo menos esse é o desejo de alguns atores, como Alessandra Negrini, Letícia Sabatella e Gregório Duvivier.

Em conversa com o UOL, a paulistana Alessandra contou que ainda está aprendendo a andar de bike e, por falta de ciclovias (a meta é que SP receba 400 km até o fim de 2015), muitas vezes pedala na calçada. Ela vê com otimismo a implementação das faixas para bicicletas recentemente inauguradas pela prefeitura de São Paulo — como a da avenida Paulista que tem 2,7 km de extensão –, e acredita que os conterrâneos precisam deixar de enxergar apenas o carro.

“O paulistano ainda se identifica com o carro e isso tem mudar, já ficou velho. A bicicleta envolve outras coisas, não é só a locomoção, mas a apropriação das ruas pelo cidadão, a humanização da cidade. As pessoas ficam menos agressivas”, disse a atriz, que defende o fechamento da Paulista aos domingos para automóveis.

Claro, que a bike não é a solução para os problemas de mobilidade urbana de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Ambas as cidades ainda carecem de investimentos em transporte público. Além disso, merecem atenção as questões de segurança, infraestrutura e conscientização das pessoas, citam os entrevistados.

Alessandra, que costuma viajar para o exterior e se locomover a pé ou de bicicleta, acredita que as ciclovias são um avanço para Paulicéia, já que além de incentivar o uso da bike também pode mudar a cabeça de quem não a vê como condução. No entanto, ela reconhece que apenas essa iniciativa não irá resolver o problema de mobilidade. “País rico é país que usa transporte público. É muito retrógrado quem não apoia as bicicletas”, afirmou.

Letícia Sabatella que mora no Rio de Janeiro e costuma ir ao cinema, ao teatro, ao supermercado e até mesmo festas à noite de bicicleta, reclama da falta de ciclovias, assim como os colegas Gregório Duvivier e a atriz Juliana Didone. Contudo, a atriz  vê a cidade propícia para o uso de bikes no dia a dia e não apenas como lazer.

“Uso a bicicleta como meio de locomoção. Prefiro estar em atividade ao invés de ficar sentada, presa no engarrafamento. Uso o carro apenas para percursos longos. Mas o Rio precisa de um metrô adequado para o seu tamanho, de ciclovias, mais possibilidades de acesso. Não dá para atravessar túneis de bike”, opinou Letícia.

Mudança de dentro para fora

Duvivier utiliza a bicicleta diariamente para ir até as reuniões do Porta dos Fundos, um percurso relativamente curto — do bairro de Botafogo até o Jardim Botânico — e cita o meio de transporte como um dos mais humanos, mas a locomoção complica quando seu destino é mais longe. O ator sente não só a falta de ciclovias, como também a de educação de alguns motoristas.

“Gravo na Barra da Tijuca e não tem ciclovia do Jardim Botânico até lá. O Rio de Janeiro ainda é uma cidade complicada para se viver de bicicleta, a prefeitura ainda vê o veículo como lazer e não como meio de transporte principal. Ouço muito dos motoristas: ‘Vai para calçada’! Como se eu estivesse cometendo alguma infração por estar de bicicleta”, disse.

A bicicleta envolve outras coisas, não é só a locomoção, mas a apropriação das ruas pelo cidadão, a humanização da cidadeAlessandra Negrini, que defende o fechamento da avenida Paulista aos domingos para automóveis

Aos 51 amos, Vera Zimmerman, no ar atualmente na novela “Os Dez Mandamentos” (Record), pedala 14 km diariamente no Rio, onde mora. Só não vai até o trabalho porque são 40 km de distância e não há ciclovia suficiente. Como paulistana, ela diz estar “orgulhosa” das ciclovias que o [prefeito] Haddad  tem feito, mas acredita que a cidade ainda precisa criar o hábito.

“No Rio, ando no meio dos carros, mas não é algo seguro, reconheço. Tem muita gente que não gosta de bicicleta e fica com ódio ao ver os ciclistas. É raro eu pegar o carro. Uso só quando está chovendo muito ou quando saio à noite, porque tenho medo. Mas acredito que a única solução para o caos do trânsito é a bicicleta e o metrô”, defendeu Vera.

Assim como Zimmerman, a atriz Juliana Didone também mora longe do trabalho e por enquanto não vê alternativa para se locomover de bicicleta até lá. Além da distância, tem o problema de chegar toda suada, além da falta de segurança para se locomover à noite, mas mesmo assim, carro para ela é a última opção.

“Apesar dos problemas, desejo que as pessoas usem mais a bicicleta, o metrô e que dividam o carro dando carona umas para as outras. O trânsito seria muito melhor e as pessoas não brigariam tanto, não teria tanta poluição no mundo”, opinou Didone, que adoraria passar uma temporada em Paris andando de bicicleta e curtindo a cidade.

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