Um país que clama por um líder

Vivemos um período curioso de nossa história. Um país que quase unanimemente repudia seu principal governante, mas que é incapaz de se mobilizar para dar um recado veemente nas ruas. Ok, as manifestações de ontem reuniram um grande numero de pessoas em diversas cidades do Brasil, mas é inegável que se esperava mais. O povo que estava nas ruas não é nem de perto representativo da parcela de 93% da população que acorda todos os dias incomodada com a forma como vem sendo tocada as coisas no país. E existe um motivo claro para este fenômeno. E é esse mesmo motivo o maior trunfo de Dilma: o vacuo de liderança que vive o país.

Existe uma condição fundamental para surgir um líder. Sua capacidade de gerar nas pessoas o sentimento de admiração e o de empatia. As pessoas devem te-lo como herói. E quando falo de herói, refiro-me ao arquetipo mesmo, aquele tão bem descrito por Campbell em seu livro “O Herói de Mil Faces”. Deve ter passado por provações, ter aprendido com um sábio, ter vivido o fracasso, flertado com a morte, e renascido bravamente para a vitória. Mas não basta somente ser herói. Deve ser um herói com o qual as pessoas se identificam. Que sofre o que elas sofrem, como elas sofrem. É este o significado de empatia, aquele que sofre junto.

Lula foi o último grande lider do Brasil. Trazia consigo o mito do herói. Daquele que nasceu na pobreza, viveu uma vida cheia de provações, foi preso, perdeu o dedo trabalhando, perdeu a esposa, mas viveu para salvar seu povo. As pessoas se identificavam com Lula. Ele havia sofrido o que elas sofriam e, portanto, lutaria pelo que elas precisavam. Pelo menos essa era a imagem que Lula passava. E Lula jogou isso tudo fora, ao menos na minha opinião. Governou com a ideia fixa de se manter no poder, a qualquer preço. Usou o cargo para gerar facilidades para amigos, seus “companheiros” de caminhada. Compactuou com criminosos, se aproximou dos velhos coronéis da republica e concedeu-lhes ainda mais poder, dividiu o país e destruiu a oposição idealista, um dos ativos mais importantes de qualquer nação. Seu nome provavelmente será lembrado com vergonha e escárnio cem anos adiante. O que não é novidade alguma na história. Grandes lideres (em termos de poder e influência) já usaram de sua liderança para roubar, matar, conquistar e iludir. Stalin, Hitler, Mussolini, Kim-Jong, Bin Laden são alguns exemplos. Todos, porém, quando surgiram gozavam da admiração e empatia de seus povos. Eram heróis e entendiam o sofrimento de sua gente. Assim como Lula.

Existiram também lideres inspiradores. Pessoas que usaram seu poder de influência e aglutinação para promover reformas e mudanças que visavam o bem daqueles que os haviam conduzido à condição de guia maior. Mandela, Gandhi, Confúcio, Thatcher, Martin Luther King e até mesmo Obama. Não se trata de avalizar suas ideologias ou políticas, nem sua eficácia, afinal mesmo esta pequena lista tem personagens com linhas diametralmente opostas de pensamento. Alguns se envolveram também em guerras, o que os faz responsáveis por baixas como aqueles citados antes. Outros tiveram resultados econômicos muitos ruins de suas políticas publicas. Mas todos, de certa forma, serão para sempre lembrados como heróis.

O Brasil de hoje não tem lideres. Aécio não é líder. Sua figura é zero empática ao povo. Um povo que vive uma das maiores desigualdades de distribuição de recursos (e não só de renda) como o nosso não consegue ver em um menino que esta sempre nas baladas mais caras, herdeiro de família rica, sem uma historia sequer de sucesso empresarial, liderança estudantil, projeto social ou superação pessoal, alguém que os represente. O mesmo vale para Alckmin, Serra, Martha Suplicy, Eduardo Paes… São, alguns deles, no máximo lideres da oposição. Mas não são lideres.

Precisamos de um lider que inspire pessoas da direita e da esquerda. Que seja capaz de aglutinar os 93% de insatisfeitos. Que traga consigo a figura de quem já sofreu na pele as mazelas que as más políticas praticadas pelos governantes trouxeram para o país. Que seja admirado por seu conhecimento, pela coragem, pela vontade de acertar. Que tenha conquistado por mérito sua posição e não por hereditariedade ou indicação. Alguém que não odeie ou ridicularize quem veste uma camisa vermelha, verde ou azul. Que, ao contrário, respeite e entenda suas razões. A luta por um país menos corrupto e mais justo é de todos. E só um verdadeiro líder pode compreender isso. Este lider, com menos ódio e mais espirito de mudança, será capaz de levar milhões de pessoas às ruas. É este tipo de lider que Dilma nunca foi e nunca será. E também seu maior pesadelo. Seu mandato dura até que este líder apareça…

Eduardo Moreira – Autor de Encantadores de Vidas e O Encontro

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