What Design Can Do: conheça a conferência que conecta designers aos principais problemas sociais do mundo atual

O que o design pode fazer (e a propaganda não)?

What Design Can Do? A resposta à provocação que dá nome a esse evento absolutamente incrível que pela primeira vez aconteceu fora da Holanda é “explodir sua cabeça”. Quem esteve na FAAP nos dias 7 e 8 de dezembro saiu de lá com a sensação de que o ano foi salvo aos 45 minutos do segundo tempo.

Muito além do irresistível chamariz do pop star Stefan Sagmeister, palestrante considerado um dos sujeitos mais criativos sobre a terra (totalmente de acordo), o WDCDSP trouxe um line up impecável e repleto de boas surpresas.

Sou designer de formação, cria da própria FAAP. Foi bom revisitar esses valores e compreender para onde o design quer nos levar depois de tantos anos trabalhando em agências de propaganda.

Claro que estamos diante de uma vanguarda frente à realidades muito diferentes do dia a dia da maioria dos profissionais desse segmento. Dá uma pontinha de fé na humanidade em como, ao contrário da publicidade, o design está cada vez mais conectado ao ser humano e às questões fundamentais que nos envolvem como moradia, meio ambiente, felicidade, direitos humanos, tecnologia, etc…

Não é de agora que olho com certa desconfiança para minha própria profissão. Tratar pessoas por consumidores já diz muita coisa. O que eu vi nesses dois dias de evento foi um design preparando nosso futuro. Uma multidisciplinariedade confundindo designers com neurocientistas, biólogos e artistas.

Não sou eu quem disse que agências de propaganda deixaram de ser o lugar ideal para pessoas que querem fazer uso real de sua criatividade. O WDCD só foi mais um tapa na minha cara dizendo “acorda, Leonardo, nesse mundo novo que está surgindo, o que você faz não serve pra nada”. Fica a dica e a marca de mão espalmada latejando na face.

Foi incrível ver a caótica e absolutamente genial Sissel Tolaas falar de seu trabalho sobre cheiros, lidando com uma matéria prima invisível e o poder único de acessar memórias presas ao subconsciente. Sissel tem estudos que usam os cheiros desde em funções práticas ligadas à indústria, passando pelo tratamento de stress pós traumático até suas obras de arte expostas no MoMA. Um de seus trabalhos mais polêmicos utilizou bactérias do cheiro das chuteiras de David Beckhan para fazer um queijo.

Marije Vogelzang, entitulada “Food Designer”, muito além do que a nomenclatura sugere revelar, usa a comida para acessar as mesmas memórias e sensações ancestrais dos cheiros de Sissel em experimentos que são verdadeiras obras de arte.

Koert Van Mensvoort trouxe um pouco da provocativa Next Nature, uma plataforma de cientistas, designers e filósofos que imaginam o futuro e nos fazem esbarrar nos limites da criatividade num mundo onde o homem recria a natureza.

Pepijn Zurburg, da Designpolitie, trouxe um pouco de seu design-ativismo através da coluna visual “Gorilla”, diariamente impressa no jornal mais importante de seu país.

Enfim, muitas pessoas geniais e inspiradoras pisaram naquele palco e mostraram que há infinitas coisas que o design pode fazer. Principalmente em nome do mundo em que vivemos.

O que certamente ficou para aquele auditório lotado e absolutamente encantado, é que sua criatividade pode ir até onde você quiser levá-la. E que nem sempre onde se vende ideias é o lugar ideal para tê-las.

*Via The São Paulo Times

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