Redes sociais serão armas nas eleições

f_348688Mudanças nas regras eleitorais a partir deste ano fazem com que as redes sociais se firmem como uma das principais ferramentas para os candidatos.

Twitter, Facebook, Instagram, Youtube, Snapchat… Se você é usuário de alguma dessas redes sociais, provavelmente já deve estar acostumado aos memes, textões e virais sobre política que diariamente tomam conta da internet. E com a proximidade das eleições municipais deste ano – a primeira realizada sob as novas regras eleitorais – é melhor se preparar para uma verdadeira avalanche de candidatos na sua timeline querendo sua amizade (e principalmente seu voto!).

 

É que a partir deste ano, com a proibição do uso de cavaletes, bonecos e faixas nas vias públicas, além do espaço reduzido no horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, as campanhas feitas na internet se tornarão uma peça fundamental para os candidatos que pretendem ocupar um cargo público no ano que vem. Entretanto, não basta apenas um perfil nas redes sociais para divulgar a campanha. Na avaliação do consultor em Marketing Digital, Vitor Colares, o diferencial nesta eleição será a forma com que os políticos passarão a interagir com o seguidor, e possível eleitor. “O segredo está na interação que os candidatos tentarão criar com as pessoas que os seguem na internet. E para isso, o diálogo tem que ser aberto, aproximando o seu seguidor da pessoa que está por trás daquele perfil público”, explicou. “Quem tiver criatividade e souber falar para uma quantidade de pessoas que vai além dos eleitores tradicionais, certamente vai ver isso se traduzir em popularidade, e também em votos”, disse Vitor.

 

Porém, se engana quem acha que o candidatos vão querer convencer seus eleitores apenas com memes e piadinhas. A especialista em Marketing Político e Mestre em Ciência Política pela UFMG, Naila Lopes, lembra que o momento conturbado na política tem criado um cenário cada vez mais polarizado nas redes. E na incasável disputa entre ‘coxinhas’ e ‘mortadelas’, campanhas que incitam o ódio entre os grupos também podem acabar se destacando. “Estudos mostram que o que engaja as pessoas nas redes socias são emoções, como o humor e a raiva. Com a classe política cada vez mais desacreditada e um isolamento ainda maior entre os grupos, eu imagino que teremos um aumento na quantidade de postagens ofensivas, no sentido de associar outros candidatos a episódios de corrupção e de investigações que estão acontecendo, mesmo que isso não seja verdade”, avalia a especialista.

 

O ponto positivo nisso tudo, segundo ambos os especialistas, é que as eleições vão se tornar algo muito mais didático para o eleitor, uma vez que a estratégia de marketing dos políticos agora é mais direta. “Nessa interação que as campanhas estão propondo, vamos ver muitos vídeos, gráficos, imagens e outras peças que servirão para expor as ideias dos candidatos de forma mais clara e palpável para seus seguidores”, comemorou Vitor. Lembrando que até há pouco tempo, muitas campanhas se baseavam apenas em ‘colocar a cara’ e o número do candidato num folheto e distribuir pela cidade.

 

 

Números

 

O que era visto como meio de ‘campanha complementar’ demonstrou ter sido uma das principais fontes de influência na decisão de voto e de acirrados debates políticos. Uma pesquisa do Instituto Datafolha em 2014 demonstrava que 39% dos eleitores pesquisados foram influenciados pela internet na hora de decidir sobre em qual candidato votar; 19% disseram que a internet influenciou, e muito. Naquele ano, a campanha pela Presidência da República movimentou as redes sociais. Enquanto Dilma Rousseff (PT) somou mais de 1,7 milhão de curtidas no Facebook, Aécio Neves (PSDB) chegou a 3 milhões. Já no Twitter, Dilma esteve na frente, com mais de 2,9 milhões de seguidores, e Aécio tem cerca de 188 mil.

 

“Até 2010, a visão era de que a internet era apenas um meio de campanha complementar, dando prioridade aos meios como rádio, televisão e jornais. De lá pra cá isso mudou bastante e, com a profissionalização das pessoas que trabalham exclusivamente com redes sociais, abriu caminhos até então inexplorados”, explica Neila Lopes. “Se as pessoas realmente querem mudar o meio que vivem através da política, o melhor momento para conhecer e debater com seu candidato é agora”, conclui a especialista.

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