Pode isso Arnaldo? O jogo nefasto das grandes empresas com seus intraempreendedores

Tem havido crescente preocupação de grandes empresas em inovar mais e melhor. Está mais do que evidente que as grandes empresas precisam ser mais ágeis. A disrupção não é só coisa de empresa de internet. Nesse sentido, a conexão com startups em programas de corporate venture de diferentes formatos é uma alternativa muito interessante para dar agilidade na inovação. Mas, definitivamente, as startups não são a única fonte de inovação.

Lá dentro das grandes empresas tem diversos inovadores corporativos. Caras que querem reinventar a forma de fazer negócios em setores maduros como saúde, educação, varejo, financeiro e tantos outros. Profissionais que tem o desconforto com o status quo. Que não aguentam mais o ambiente altamente político que se dissemina em algumas dessas corporações. Gente que não quer apenas dar o próximo passo para ter melhores benefícios, um carro mais legal e um plano de saúde com maior cobertura. Esses são intraempreendedores que estão dispostos a tomar riscos, investir tempo que nem existe e aprender algo novo que possa levar essa empresa ao futuro e, eles, a realizarem seus sonhos.

Mas o jogo não tem sido fácil pra essa turma. Na verdade o jogo pra eles tem tido regras distintas.

Quando se relacionam com startups as empresas tem adotado 4 práticas de gestão críticas para o sucesso de novos negócios:

  1. Alocação de pessoas qualificadas: Ao se relacionar com startups as grandes empresas fazem criteriosos filtros para identificar as melhores pessoas para as novas oportunidades
  2. Dedicação total de tempo: Quando estabelecem programas de corporate venture, as corporações garantem aos empreendedores dedicação exclusiva para a nova oportunidade, afinal, ninguém cria algo novo e grande aos 44 min do segundo tempo.
  3. Disponibilidade de recursos financeiros: No momento que decidem investir em startups por meio de programas de aceleração corporativa, como o da Oxigênio da Porto Seguro por exemplo, é garantido aos empreendedores funding upfront para explorar o novo campo.
  4. Autonomia para alterar projetos e aprender ao longo do caminho: Nesse tipo de situação a grande empresa dá ao empreendedor a liberdade de testar e alterar o Project charter original que foi aprovado entre as partes dado que 95% das inovações mudam substancialmente de sua ideia original.

Essas práticas não são exclusividade de startups. São pre-condições para explorar novas oportunidades.  São a ciência adequada a tais situações. Agora vejamos como ocorre com os funcionários da maioria das grandes empresas quando eles tentam inovar:

  1. Pessoas: As melhores pessoas são destinadas a operar o core business. São selecionados para as oportunidades disruptivas profissionais com menor “poder de convocatória” como diz meu amigo Romeo Busarello.
  2. Tempo: Para não aumentar despessa as empresas diluem o tempo de profissionais já atarefados com diversas questões em novas oportunidades que serão tratadas quando “sobrar tempo”.
  3. Autonomia: Esses profissionais menos seniores que tem que tocar as oportunidades como part-timers precisam inovar sem mudar as regras do jogo e seguindo práticas de gestão adequadas ao core business e inadequadas a novas oportunidades.
  4. Dinheiro: Sobra para esses profissionais “santos” como os chama o Adriano Silva do Projeto Draft, a necessidade de ter que montar um excel de 14 abas com projeções para 5 anos que tem que provar que vai dar certo uma nova oportunidade que mal se tem o entendimento do que seja. Quando conseguem o dinheiro nem sempre aparece…

Esse tipo de incoerência tem gerado a conclusão de que inovação corporativa com os funcionários não funciona. E que o pessoal de startups é inteligente e visionário enquanto os funcionários não conseguem pensar fora da caixa. Usando a expressão de um conhecido locutor esportivo brasileiro, cabe pergunta: Pode isso Arnaldo?

O que “tá rolando” nas corporações no que tange a inovação é uma incoerência entre ambição e método. O problema não são os inovadores corporativos. A solução não são as startups. Tanto uns quanto os outros podem ter melhores e piores resultados desde que aplicando as práticas adequadas para o contexto de incerteza, ambiguidade e risco que enfrenta quem quer inovar.

Experimente dar tempo, autonomia, recursos financeiros e pessoal qualificado para suas novas oportunidades. Não importa se com startups ou seus próprios funcionários. Os resultados tenderão a ser positivamente estranhos!

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